top of page

Trocam-se as faces, mantêm-se os problemas: o cansaço do eleitor de Dourados

  • Foto do escritor: Outro Lado De Dourados
    Outro Lado De Dourados
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura
Imagem criada por IA, mostra um eleitor cansado.
Imagem criada por IA, mostra um eleitor cansado.

A cada nova gestão, o cenário se repete: mudam-se os logotipos nas fachadas das secretarias, trocam-se os ocupantes dos cargos de confiança e renovam-se as promessas de "uma nova era" para a nossa cidade. Mas basta uma volta rápida pelos bairros de Dourados para perceber que o verniz da novidade não esconde o mofo da ineficiência. O eleitor douradense está exausto de ser figurante em um teatro onde o roteiro de descaso nunca muda. O que assistimos em Dourados, governo após governo, é um espetáculo de desculpas esfarrapadas. Quando não é a "herança maldita" da gestão anterior, é a falta de repasses federais ou a burocracia do Estado. O fato é que a conta nunca fecha para o cidadão. Pagamos impostos de cidade polo para receber serviços que, muitas vezes, beiram o abandono. É inadmissível que problemas crônicos como, crateras no asfalto que já fazem aniversário, postos de saúde sobrecarregados e uma zeladoria urbana que deixa a desejar continuem sendo tratados como "desafios complexos" quando, na verdade, são frutos de falta de prioridade política. A política em Dourados viciou-se no ciclo do paliativo. Faz-se o "tapa-buraco" que a primeira chuva leva o material embora, mas não se resolve a raiz dos problemas de infraestrutura. Onde estão os projetos estruturantes que condizem com a importância da segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul? Onde está o respeito com o dinheiro público que parece escorrer por obras que nunca terminam ou que precisam de reparo meses depois de entregues? A paciência do douradense chegou ao limite. Não aceitamos mais o discurso de que "estamos arrumando a casa".

Tempo é o que o trabalhador perde esperando um transporte público muitas vezes precário. Tempo é o que as famílias das periferias e dos distritos não têm enquanto aguardam por melhorias básicas que nunca chegam. A alternância de poder deveria servir para oxigenar a administração municipal, mas por aqui, tem servido apenas para trocar o nome de quem assina o descaso. Fica o alerta aos atuais e futuros ocupantes da prefeitura e da câmara: o silêncio do eleitor hoje não é sinal de conformismo, é o grito silencioso de quem cansou de ser enganado por slogans vazios. Se os governantes não entenderem que gerir Dourados é um compromisso sério e não um prêmio político, continuarão sendo apenas mais uma face passageira em uma história de frustrações acumuladas.


"O descaso ganha rosto e nome nas filas da saúde. É inadmissível que um paciente, após uma consulta em agosto de 2025, chegue ao final de janeiro de 2026 sem sequer ser chamado para uma ultrassonografia das articulações. São cinco meses de espera, de dor e de incerteza. Isso não é apenas um problema de gestão; é um atentado à dignidade humana em uma cidade que se diz polo regional."


Por: Oswaldo Arnez

Oswaldo Arnez: Escritor e Colunista.
Oswaldo Arnez: Escritor e Colunista.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page