Projeção aponta salário mínimo de R$ 1.621 em 2026; entenda o cálculo e o impacto no orçamento
- Outro Lado De Dourados
- 10 de dez. de 2025
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Novo valor representa um aumento de R$ 103 em relação ao piso atual, mas fica abaixo da estimativa inicial do governo devido às travas do arcabouço fiscal.
O salário mínimo brasileiro deve alcançar o valor de R$ 1.621 em 2026. A nova projeção representa um reajuste de 6,79% — ou um acréscimo de R$ 103 — em comparação aos atuais R$ 1.518. O cálculo leva em conta a inflação acumulada e o crescimento econômico, mas foi limitado pelo teto de gastos imposto pelo novo arcabouço fiscal.
Esta revisão traz um valor inferior à estimativa original do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, aprovado pelo Congresso, que previa um piso de R$ 1.627 (reajuste de 7,18%). A mudança nos números deve obrigar o governo federal a refazer cálculos, impactando diretamente o planejamento das despesas públicas.
Como o valor foi calculado
A definição do salário mínimo segue uma regra de valorização que soma dois componentes:
A inflação: Medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até novembro, projetado em 4,18%.
O crescimento da economia: Considera o PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes (neste caso, 2024), revisado pelo IBGE para uma expansão de 3,4%.
No entanto, o ganho real (acima da inflação) esbarrou nas regras do arcabouço fiscal. A legislação limita o aumento real das despesas a um intervalo entre 0,6% e 2,5%. Com a aplicação desse teto de 2,5%, o valor calculado matematicamente foi de R$ 1.620,99, sendo arredondado pela lei para R$ 1.621.
Impacto nas Contas Públicas
A redução da estimativa de R$ 1.627 para R$ 1.621 traz um alívio marginal, mas a pressão sobre o orçamento continua significativa. O salário mínimo serve de indexador para diversos benefícios sociais e previdenciários.
Entre os principais impactados está o BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. Como o valor do benefício é atrelado ao piso nacional, quanto maior o reajuste do mínimo, maior a despesa obrigatória do governo.
Outros valores, como o seguro-desemprego, o teto do INSS e benefícios acima do salário mínimo, seguem uma regra ligeiramente diferente: são corrigidos apenas pelo INPC fechado do ano (janeiro a dezembro), sem o ganho real do PIB.
Entenda a diferença: INPC vs. IPCA
O índice utilizado para corrigir o salário mínimo, o INPC, tem uma função social específica. Segundo o IBGE, ele existe para preservar o poder de compra de famílias com renda de um a cinco salários mínimos.
Enquanto o IPCA (inflação oficial) reflete o custo de vida de famílias que ganham até 40 salários, o INPC dá um peso muito maior a itens de primeira necessidade:
Alimentação: Responde por quase 25% da cesta do INPC (contra 21% no IPCA).
Serviços: Itens como passagens aéreas têm peso reduzido no INPC, pois impactam menos as famílias mais pobres.
Em novembro, o INPC registrou alta de 0,03%, enquanto o IPCA subiu 0,18% (acumulando 4,46% em 12 meses). A coleta de preços é realizada nas principais regiões metropolitanas e capitais do país, incluindo Campo Grande.
Por: Rogérinho Santo.





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